Produzindo uma análise entre os meios metodológicos de Hasel e de Goppelt é interessante como ambos vão delineando, pela maneira histórica, as linhas de pensamento de sua metodologia. Traçando as perspectivas de ambos os autores sobre o produto de uma Teologia do Novo Testamento nota-se como são análogos e como também tocam em fundamentos muito parecidos e significativos para uma melhor compreensão dos cenários onde vão sendo constituídos as variadas formas de perspectivar a teologia bíblica. Assim pode-se dizer que, buscando uma Teologia do Novo Testamento que possui uma mesma genésica, parece ser os caminhos propostos por ambos viáveis há uma proto-explicação dos textos neotestamentários.
A Reforma é para Hasel e Goppelt, o ponto de partida de uma constituição de Teologia do Novo Testamento. O primeiro traça uma linha histórica que vai do cientificismo copernicano, passando pela revolução racionalista descarteana (que prepara as bases da compreensão histórico –critica dos textos), colocando também pontuações significativas sobre como vai se configurando uma neoforma de se interpretar os textos bíblicos a partir do Iluminismo.
Antes da Reforma, diz Hasel, a interpretação exata da Bíblia era identificada como a mesma coisa que a dogmática eclesiástica. Assim a interpretação estava sob poder monopolizador da Igreja. Com a Reforma, e principalmente com a centralidade da interpretação bíblica nela mesma, como sugeriu Lutero, a tradição vai sendo desconsiderada no processo interpretativo decisivo. Dessa forma somente a Bíblia daria a hermenêutica certa sobre si. Não seria necessário a utilização de outros textos complementares.
Com o iluminismo, e uma nova crença na razão, os textos passam a ser considerados não sagrados, mas meramente históricos. Com isso a linha de pesquisa para esse texto é o mesmo para qualquer outro texto antigo. Aos poucos as Escrituras vão perdendo sua autoridade divina. Johann Philipp Gabler é um dos que foram influenciados por esse pensamento afirmando que as Escrituras são puramente históricas e não dependem da dogmática para serem entendidos. Porém é com Semler que vai se configurando o método histórico-crítico e que passa a ser o modo mais coerente de se hermeneutizar os textos bíblicos.
Goppelt parte também de um eclodir de idéias teológicas a partir do século XVI com Lutero e sua insatisfação em relação a hermenêutica engessada da Igreja. Porém sua pesquisa segue um pouco mais detalhada percebendo como vai se configurando a idéia moderna do criticismo histórico em relação aos textos bíblicos. Com a derrocada do escolasticismo e o surgimento do pensamento racionalista de René Descartes no século XVI todo um modo de pensar o mundo muda. O racionalismo passa a ser quase que endeusado como nova forma de se considerar a verdade das coisas inaugurando o que se denomina de modernidade. Mas foi com a revolução cientificista de Nicolau Copérnico que novas perspectivas foram sendo aplicadas à Bíblia. Agora a ciência não depende mais das informações da Bíblia, mas a Bíblia é que precisa ser interpretada a luz da razão cientifica afirma Hasel. O surgimento do pensamento moderno analítico-criticista faz com que o cristianismo, e conseqüentemente seu modo de interpretar a Bíblia, entre em decadência. Com o Iluminismo e a supervaloração da razão essa crise se acentua. É nesse período, no século XVIII, que surge o método histórico-crítico que vai mudar a forma de se ver os textos. Principalmente os bíblicos que são considerados não inspirados por uma deidade, mas históricos como qualquer outro texto antigo.
Hasel percebe também como o protestantismo por pouco não cria para si uma solidificação escolástica da dogmática, igualando-se a Igreja católica, e como foi que o pietismo fez com que a linha de pensamento protestante voltasse a valorar as Escrituras no processo de interpretação da mesma.
A Igreja pós-NT não possuía uma teologia sendo o texto interpretado pelos dogmas eclesiásticos. Com isso a igreja sempre desfrutava positivamente das Escrituras. Mas Goppelt mostra como, no decorrer do tempo, o modo de interpretar o texto chegou a níveis extremos como o de compreender os textos bíblicos como meramente históricos. Para isso é iniciada uma série de pesquisas que desejam remontar todos os elementos possíveis a fim de chegar ao Jesus histórico. Tentou-se também criar uma imagem histórica da história da igreja primitiva procurando saber o porquê de os discípulos entenderem Jesus como Messias mesmo depois de sua morte encontrando, por sua vez na forte personalidade demonstrada pelo mesmo a razão desse messianismo. Essa tentativa foi feita por Wilhelm Bousset. Que ainda percebe o surgimento de uma “dogmática da comunidade” que influenciará significativamente na compreensão sobre a pessoa de Jesus.
Surge então o pastor Karl Barth que vê na perspectiva meramente histórica um problema, já que ela não pode abarcar a totalidade interpretativa do texto tendo uma consideração unívoca, apenas pela história. Para Barth o texto deve ser trazido a contemporaneidade para ser entendido pelo homem do século XX. Essa é a hermenêutica certa. Bultmann, porém vem antiteticamente à Barth afirmando que tanto o caráter histórico quanto a hodiernidade do texto devem ser considerados na interpretação do texto. Ou num melhor entendimento, tanto a história como a ação kerigmática, é relevante nessa busca. Aqui se trata de uma compreensão meramente histórico-filosófica. Mas houve modificações também na escola bultimaniana por parte de seus alunos e teóricos como Ernst Fuchs (em relação a negação da fé pascal), Gerhard Ebeling e Herbert Braun (que inclui até mesmo Deus na demitologização). Alguns passaram a dar mais conteúdo ao Kerigma enquanto outros tentavam demitologizá-lo.
Goppelt direciona seu texto ao desenvolvimento da pesquisa e da problemática abordando sobre Johann Christiann Konrad Von Hofmann e sua história da salvação. Hofmann propõe que o texto seja lido a partir de uma linearidade entre o AT e o NT de forma que aquilo que é profetizado dentro do contexto veterotestamentário é cumprido no neotestamentário. Assim a interpretação deve ser considerada de forma retrospectiva dos acontecimentos do passado antiqüotestamentário. Nesse contexto Hasel afirma que Schclatter também assume a história da salvação.
Voltando a uma abordagem da teologia do NT, que como pôde-se observar, a primeira fase foi abordada por Hoffmann e Schlatter. Hasel dita que até mesmo a teologia do NT mais recente de L. Goppelt segue também as perspectivas da história da salvação. Nesse contexto aparece B. S. Childs que faz uma grandiosa descrição do “Movimento Teológico Bíblico” que desenvolvera algumas características como ser antagônica aos sistemas filosóficos, comparar o pensamento grego com o hebraico, dar ênfase a unidade dos Testamentos, crê na singularidade da Bíblia a despeito de seu ambiente, contraria a teologia “liberal” e criam na revelação de Deus na história. Desse modo produziu também uma teologia esse movimento. Porém B. S. Chils diz que com o fim do Movimento Teológico Bíblico como força dominante no cenário teológico norte-americano faz-se necessária uma nova teologia bíblica. Para Childs “a empreitada da teologia bíblica é uma disciplina diferente tanto da teologia do AT como do NT”.
A Reforma é para Hasel e Goppelt, o ponto de partida de uma constituição de Teologia do Novo Testamento. O primeiro traça uma linha histórica que vai do cientificismo copernicano, passando pela revolução racionalista descarteana (que prepara as bases da compreensão histórico –critica dos textos), colocando também pontuações significativas sobre como vai se configurando uma neoforma de se interpretar os textos bíblicos a partir do Iluminismo.
Antes da Reforma, diz Hasel, a interpretação exata da Bíblia era identificada como a mesma coisa que a dogmática eclesiástica. Assim a interpretação estava sob poder monopolizador da Igreja. Com a Reforma, e principalmente com a centralidade da interpretação bíblica nela mesma, como sugeriu Lutero, a tradição vai sendo desconsiderada no processo interpretativo decisivo. Dessa forma somente a Bíblia daria a hermenêutica certa sobre si. Não seria necessário a utilização de outros textos complementares.
Com o iluminismo, e uma nova crença na razão, os textos passam a ser considerados não sagrados, mas meramente históricos. Com isso a linha de pesquisa para esse texto é o mesmo para qualquer outro texto antigo. Aos poucos as Escrituras vão perdendo sua autoridade divina. Johann Philipp Gabler é um dos que foram influenciados por esse pensamento afirmando que as Escrituras são puramente históricas e não dependem da dogmática para serem entendidos. Porém é com Semler que vai se configurando o método histórico-crítico e que passa a ser o modo mais coerente de se hermeneutizar os textos bíblicos.
Goppelt parte também de um eclodir de idéias teológicas a partir do século XVI com Lutero e sua insatisfação em relação a hermenêutica engessada da Igreja. Porém sua pesquisa segue um pouco mais detalhada percebendo como vai se configurando a idéia moderna do criticismo histórico em relação aos textos bíblicos. Com a derrocada do escolasticismo e o surgimento do pensamento racionalista de René Descartes no século XVI todo um modo de pensar o mundo muda. O racionalismo passa a ser quase que endeusado como nova forma de se considerar a verdade das coisas inaugurando o que se denomina de modernidade. Mas foi com a revolução cientificista de Nicolau Copérnico que novas perspectivas foram sendo aplicadas à Bíblia. Agora a ciência não depende mais das informações da Bíblia, mas a Bíblia é que precisa ser interpretada a luz da razão cientifica afirma Hasel. O surgimento do pensamento moderno analítico-criticista faz com que o cristianismo, e conseqüentemente seu modo de interpretar a Bíblia, entre em decadência. Com o Iluminismo e a supervaloração da razão essa crise se acentua. É nesse período, no século XVIII, que surge o método histórico-crítico que vai mudar a forma de se ver os textos. Principalmente os bíblicos que são considerados não inspirados por uma deidade, mas históricos como qualquer outro texto antigo.
Hasel percebe também como o protestantismo por pouco não cria para si uma solidificação escolástica da dogmática, igualando-se a Igreja católica, e como foi que o pietismo fez com que a linha de pensamento protestante voltasse a valorar as Escrituras no processo de interpretação da mesma.
A Igreja pós-NT não possuía uma teologia sendo o texto interpretado pelos dogmas eclesiásticos. Com isso a igreja sempre desfrutava positivamente das Escrituras. Mas Goppelt mostra como, no decorrer do tempo, o modo de interpretar o texto chegou a níveis extremos como o de compreender os textos bíblicos como meramente históricos. Para isso é iniciada uma série de pesquisas que desejam remontar todos os elementos possíveis a fim de chegar ao Jesus histórico. Tentou-se também criar uma imagem histórica da história da igreja primitiva procurando saber o porquê de os discípulos entenderem Jesus como Messias mesmo depois de sua morte encontrando, por sua vez na forte personalidade demonstrada pelo mesmo a razão desse messianismo. Essa tentativa foi feita por Wilhelm Bousset. Que ainda percebe o surgimento de uma “dogmática da comunidade” que influenciará significativamente na compreensão sobre a pessoa de Jesus.
Surge então o pastor Karl Barth que vê na perspectiva meramente histórica um problema, já que ela não pode abarcar a totalidade interpretativa do texto tendo uma consideração unívoca, apenas pela história. Para Barth o texto deve ser trazido a contemporaneidade para ser entendido pelo homem do século XX. Essa é a hermenêutica certa. Bultmann, porém vem antiteticamente à Barth afirmando que tanto o caráter histórico quanto a hodiernidade do texto devem ser considerados na interpretação do texto. Ou num melhor entendimento, tanto a história como a ação kerigmática, é relevante nessa busca. Aqui se trata de uma compreensão meramente histórico-filosófica. Mas houve modificações também na escola bultimaniana por parte de seus alunos e teóricos como Ernst Fuchs (em relação a negação da fé pascal), Gerhard Ebeling e Herbert Braun (que inclui até mesmo Deus na demitologização). Alguns passaram a dar mais conteúdo ao Kerigma enquanto outros tentavam demitologizá-lo.
Goppelt direciona seu texto ao desenvolvimento da pesquisa e da problemática abordando sobre Johann Christiann Konrad Von Hofmann e sua história da salvação. Hofmann propõe que o texto seja lido a partir de uma linearidade entre o AT e o NT de forma que aquilo que é profetizado dentro do contexto veterotestamentário é cumprido no neotestamentário. Assim a interpretação deve ser considerada de forma retrospectiva dos acontecimentos do passado antiqüotestamentário. Nesse contexto Hasel afirma que Schclatter também assume a história da salvação.
Voltando a uma abordagem da teologia do NT, que como pôde-se observar, a primeira fase foi abordada por Hoffmann e Schlatter. Hasel dita que até mesmo a teologia do NT mais recente de L. Goppelt segue também as perspectivas da história da salvação. Nesse contexto aparece B. S. Childs que faz uma grandiosa descrição do “Movimento Teológico Bíblico” que desenvolvera algumas características como ser antagônica aos sistemas filosóficos, comparar o pensamento grego com o hebraico, dar ênfase a unidade dos Testamentos, crê na singularidade da Bíblia a despeito de seu ambiente, contraria a teologia “liberal” e criam na revelação de Deus na história. Desse modo produziu também uma teologia esse movimento. Porém B. S. Chils diz que com o fim do Movimento Teológico Bíblico como força dominante no cenário teológico norte-americano faz-se necessária uma nova teologia bíblica. Para Childs “a empreitada da teologia bíblica é uma disciplina diferente tanto da teologia do AT como do NT”.

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